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Celso Santos Carvalho integra o Ministério das Cidades |
O Governo Federal está
construindo uma espécie de google do risco. Juntando e formatando
informações de estados e municípios, e investindo na elaboração
de cartas geotécnicas de cidades críticas ou com registro de
desastres, a ideia é criar um grande mapa de risco, “que deve ser
informação pública” para ser utilizada pelas pessoas que vivem
nessas áreas, conforme defende engenheiro Celso Santos Carvalho,
diretor de Assuntos Fundiários e Prevenção de Riscos, do
Ministério das Cidades.
Segundo Celso, que
participou de evento na Câmara de Santos realizado na
segunda-feira (dia 18) pela Comissão de Vereadores que acompanha a
Política Municipal de Enfrentamento do Risco Geológico, e pela
Prefeitura, através da Defesa Civil Municipal, o País já reservou
R$ 1 bilhão do orçamento para prevenção de desastres e contenção
de encostas, através do PAC. Outros R$ 10 bilhões poderão ser
utilizados para obras de drenagem.
Desde 2003 o Governo
Federal vem aprimorando o programa de gestão de riscos e respostas a
desastres naturais. O trabalho foi construído com base nas ações
pioneiras de estados, como São Paulo, e municípios, como Santos,
por exemplo. “Os acidentes (como escorregamentos de terras cuja
possibilidade de deixar vítimas fatais é muito grande) têm causas
geológicas e sociais. E uma administração pública pode sim
resolver este problema e evitar mortes”, argumentou Celso durante
sua exposição.
A elaboração de mapas
geológicos para todos os municípios considerados críticos ou com
registro de acidentes, a execução de obras de prevenção de riscos
(incluindo contenção de encostas), o monitoramento climático e o
sistema de alertas, e o fortalecimento das defesas civis municipais
integram as ações do programa.
Do valor inicial para a
contenção de encostas (R$ 1 bilhão), R$ 600 milhões já foram contratados para projetos em cidades de vários estados. “Hoje nós
temos recursos para resolver esses problemas. Mas é preciso que
municípios e estados apresentem projetos”.
Nova legislação
Além das obras do PAC
para a contenção de encostas, o evento da Câmara também tratou da
nova Lei Nacional de Proteção e Defesa Civil, que de acordo com Celso “busca suprir lacuna do planejamento e
da gestão urbana, visando a prevenção de desastres”.
Ele destacou alguns
artigos da nova regra, como o que autoriza a criação de sistema de
informações de monitoramento de desastres, para prevenção,
mitigação, alerta, resposta e recuperação em situações de
desastre em todo o território nacional (13) e o que determina que os
programas habitacionais devem priorizar a relocação de comunidades
atingidas e de moradores de áreas de risco (14).
“Os municípios que
implantarem estes instrumentos e que demonstrarem esforço, receberão
do Governo Federal recursos para a compra ou desapropriação de
áreas para habitação de interesse social”, explicou Celso.
No artigo 22, que trata
do cadastro nacional de municípios com áreas suscetíveis à
ocorrência de deslizamentos de grande impacto, inundações bruscas
ou processos geológicos ou hidrológicos, estão listadas as obrigações que as cidades deverão cumprir, como a elaboração
de mapeamento, de plano de contingência de proteção e defesa civil, plano de implantação de obras e serviços para a redução
de riscos de desastres, e a criação de mecanismos de controle e
fiscalização para evitar edificação em áreas impróprias.
O mesmo artigo
estabelece regras para a remoção de ocupações em áreas de risco,
“garantindo o direito à moradia e informação plena”, explicou
Celso. De acordo com o engenheiro, apesar de as mudanças gerarem
mais tarefas e compromissos aos municípios, “esta é uma
oportunidade de construir cidades mais resistentes ao aumento de
chuvas e as mudanças climáticas”.
Para a vereadora
Cassandra, que preside a Comissão do Risco Geológico, a nova lei “é
uma grande oportunidade de melhorar o conjunto de medição de chuva,
de previsão meteorológica, e de ampliar as ferramentas de
informação para a população que vive em áreas de risco”.
A parlamentar destacou
ainda que Santos não tem plano de contingência para áreas
alagáveis, “o que agora é obrigatoriedade legal”, e que a
cidade precisa expandir sua carta geotécnica incluindo a Área
Continental no documento.
Participação
Participaram do evento
na Câmara, representantes da Polícia Militar, da Secretaria de Segurança de Praia Grande, e das defesas civis do
Estado e das cidades de Santos, São Vicente, Itanhaém, Cubatão e Guarujá. Os
secretários municipais de Segurança, Cláudio Marques Trovão, de
Serviços Públicos, Carlos Alberto Tavares Russo, e de
Desenvolvimento e Assuntos Estratégicos, Márcio Lara, e o diretor-presidente da Cohab, Nelson Parente Junior, também
acompanharam o debate.
Participaram ainda os
vereadores de Santos, Reinaldo Martins (PT), Sadao Nakai (PSDB),
Geonísio Pereira Aguiar (PMDB) e Arlindo Barros (PSDB), de Itanhaém,
Regina Célia de Oliveira (PT), e de São Vicente, Juracy Francisco
(PT).